terça-feira, 19 de junho de 2012

NÃO PERCA O FOCO (1Ts 5.1-3)


Imagine o que é viver uma vida e só ao final perceber que tudo em que cremos não passou de ilusão. Imagine o que é viver uma vida com alguém e no final dela perceber que você nunca conheceu aquela pessoa, que ela era uma estranha. Era exatamente assim que alguns irmãos da igreja de Tessalônica estavam. Vivendo sem muita certeza de onde iriam chegar. Não conseguiam viver bem o presente e nem tinha segurança quanto ao futuro. Por trás da pergunta: “Quando Cristo voltará?”, estavam pelo menos dois medos: 1) Como ter certeza que estou pronto para a volta de Cristo? 2) Qual a garantia de que não serei excluídos naquele dia? Eles temiam que Cristo voltasse e não estivessem preparados.


Paulo responde afirmando que no tocante à vinda do Senhor não é preciso se preocupar com tempos ou épocas, ou seja, esperar a volta de Cristo não é uma questão de contagem regressiva, mas uma questão de aprofundamento da intimidade com o Ele. Mais do que estarem preocupados com o dia da volta de Cristo, eles deveriam estar preocupados em como estariam naquele dia para que não tivessem uma triste surpresa e no final de tudo, pensando ter construído intimidade com o Senhor, ouvissem de Jesus: “nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7.23)


Assim, o apóstolo os adverte a que estejam atentos a tudo aquilo que possa atrapalhar o relacionamento com Jesus e não permita uma verdadeira intimidade com ele. Durante a espera pela volta de Cristo muitas coisas poderão atrapalhar a nossa intimidade com o Senhor e nos fazer perder o foco. Nestes poucos versículos Paulo cita pelo menos três destas coisas, que nos servem de alerta, sobretudo, porque estas elas estão cada vez mais presentes e se tornarão cada vez mais comuns à medida que a vinda de Cristo se aproxima:


O SECULARISMO “O Dia do Senhor vem como ladrão de noite” -  Quando menos esperam, o ladrão aparece. Quando estão mais desatentos, ele surge. Quando mais o ignoram é que ele vem e rouba. Assim serão os dias que antecedem a volta de Cristo. Quando os homens estiverem vivendo uma vida de imoralidade, maldade, soberba e violência, Cristo chegará de surpresa. A falta de santidade é uma marca nos nossos dias, e não apenas lá fora, mas também na igreja.  Muitos têm tentado conciliar cristianismo com mundanismo, culto com imoralidade, graça com leviandade. Vivem como se não tivessem um dia que prestar contas a Deus. “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12.14). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10).


É tempo de santificação, sem ela não há intimidade com Deus. Precisamos nos santificar, confessar os nossos pecados e abandoná-los, endireitar o nosso caminho enquanto há tempo. Andamos muito preocupados em modificar a igreja aqui ou ali, como se o problema da igreja fosse de estrutura, mas a verdade é que precisamos reavivar um lema do movimento pietista do séc. XVIII e XIX: “A igreja fora reformada. Importa, agora, reformar a vida”.


A FALSA RELIGIÃO “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição”. Paulo mostra que os dias que antecedem a volta de Cristo serão dias em que muitos em nome de Deus pregarão uma mensagem diferente de tudo que o próprio Deus ensinou. Ao invés de aproximar os homens de Jesus os afastarão cada vez mais. O nome de Cristo nunca foi tão falado como nos nossos dias. ‘Jesus’ virou um produto lucrativo, mas na contramão dos fatos as pessoas nunca estiveram tão longe dele como nos nossos dias. Os últimos dias serão marcados por uma pregação que falará aquilo que os homens desejam ouvir. Falará “paz e segurança” quando o Senhor diz que os dias serão maus. Homens que venderão uma proposta de vida, em “nome de Jesus”, que contraria os próprios ensinos de Jesus (2Pe 2.1-3).


Oferecerão uma vida mansa e próspera como se jamais Cristo fosse voltar. Ao invés de falarem das coisas do alto, falarão das coisas da terra. Ao invés de levarem o povo a acumular riqueza no céu onde nem traça nem ferrugem corroem, levarão o povo a viver ansiosos na busca da riqueza terrena. Quando eles estiverem mais cegos pela falsa pregação sobrevirá repentina destruição.


Quando somos íntimos do Senhor conhecemos a sua voz e não nos deixamos seduzir por nenhum falso apóstolo, falso profeta, falso bispo, falso pastor  ou falso cristo: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27). A voz de Deus está na sua Palavra (2Tm 3.16,17). Só conhecemos o que é falso quando somos íntimos do verdadeiro. Esta consciência foi o que levou Lutero a afirmar: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”.


AS LUTAS E TRIBULAÇÕES – “Como vêm as dores de parto à que está para dar a luz; e de nenhum modo escaparão”. Contrariando a falsa pregação, Paulo diz que nos últimos dias sobrevirão lutas e tribulação à igreja, que ele chama de “as dores de parto”. As lutas e tribulações vêm para desanimar os cristãos, vem para fazê-los desacreditar do cuidado de Deus. Para tentar roubar a esperança dos cristãos. Quem não conhece ao Senhor em intimidade terá nas lutas e tribulações uma pedra de tropeço. Abandonarão o caminho do Senhor porque nunca tiveram uma fé firme preparada para os dias maus, uma fé que não resiste às dores de parto. Mas quem tem intimidade com o Senhor terá nas lutas e tribulações a oportunidade de conhecê-lo mais e de gozar do seu conforto e consolo: “Por isso, não desanimamos. Pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2Co 4.16-18).


Não se surpreenda com as lutas e as tribulações, quem vive a intimidade do Senhor descobre que elas não são o fim, mas que antecedem o fim. Este fim será a tristeza dos que não andaram com Jesus, mas a salvação final dos que entregaram a vida a ele. Cristo é a nossa esperança.


Quem cultiva em vida a intimidade com o Senhor gozará da glória eterna ao seu lado. Quem cultiva a intimidade com o Senhor não precisa temer o Grande Dia do Senhor. Por isso precisamos ser sóbrios e vigilantes não nos deixando desviar por nenhuma destas coisas. O Dia do Senhor é certo e próximo e não queremos ser tristemente surpreendidos.


Em Cristo Jesus
Emerson Profírio

quarta-feira, 21 de março de 2012

ZOMBARIA

Ser Protestante (Evangélico) no Brasil nunca rimou com popularidade e aceitação e isso nunca foi problema para as igrejas sérias. Na infância de muitos de nós aprendemos a conviver com "brincadeirinhas" e "gozações", que na grande maioria das vezes, ou quase sempre, não encontravam fundamento no comportamento moral dos crentes. Agora, vejo que os ditos crentes tem dado razão para toda esta zombaria que se faz com o nome da igreja de Cristo.

Zombavam de nós porque não fazíamos as mesmas coisas que o mundo fazia, agora zombam porque a igreja "evangélica" é pior do que o mundo: Cantores que fazem músicas "inspiradas" sem nenhuma qualidade bíblica, teológica e muito menos musical, mas ricas de interesses comerciais; "pastores" e "crentes" políticos que usam cargos públicos para si mesmos e não para o povo; empresários "crentes" que sempre têm uma desculpa para justificar o seu "jeitinho brasileiro"; "bispos", "missionários", "apóstolos", "paipóstolos", "irmãos", "profetas", "patriarcas" e todo tipo de título "piedoso" que nada tem a ver com os seus reais significados e funções, mas que são apenas máscaras que tentam esconder a vaidade de homens orgulhosos e arrogantes.

Pecado é algo contra o que sempre lutamos, o problema surge quando passamos a nos considerar (ou considerar os nossos líderes) sem pecados, quase semideuses que de tão santos e "ungidos" podemos fazer o que bem quisermos com a igreja e com Deus.
Uma coisa é certa, o guarda de Israel não dorme e naquele Dia o Senhor separará o joio do trigo. Deus nos conserve entre o número do remanescente fiel.

Pela Misericórdia do Senhor
Emerson Profírio

terça-feira, 20 de março de 2012

UM AMOR QUE CONSTRANGE (João 13.1-11)


Você já recebeu uma demonstração de atenção que o deixou constrangido? Algo que o surpreendeu de tal forma que você ficou sem saber o que fazer? Uma demonstração de cuidado e atenção tão grandes que o cativou? Um ato de carinho é capaz de desarmar o mais duro coração, por isso Paulo disse: “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoará brasas vivas sobre a sua cabeça” (Rm 12.20). Um gesto de amor na direção de um coração frio o constrange de tal maneira que a pessoa não mais se sente confortável para continuar praticando o mal.


A vida de Jesus foi marcada por gestos de amor. A todo tempo o Mestre estava envolvido com pessoas que aprendiam o que significa amar intensamente. Nas horas que antecederam a sua morte, Jesus deu uma última lição sobre o mais maravilhoso dos dons, lição que posta em prática faria dos seus seguidores seus verdadeiros representantes “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13.35). Quando Jesus se levantou do chão, tomou uma toalha, fez dela um avental e passou a lavar os pés dos discípulos a atmosfera daquela casa foi transformada. Ali Jesus nos ensinava que:


1. AMAR O PRÓXIMO É A MAIS DIFÍCIL MISSÃO, PORÉM A MAIS GRATIFICANTE – “Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai. Sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltaria para Deus”.

Por causa do seu amor por nós, Jesus foi acusado de ser pecador e de ser usado por Belzebu. Por causa deste amor ele deixou a glória e veio habitar neste mundo de sofrimento vivendo as limitações desta terra. Por causa deste amor ele sofreu e morreu na cruz. Mas, como recompensa, ele escolheu para si um povo, voltou ao Pai, assentou-se à sua destra e está esperando a ordem do Pai para estabelecer o seu Reino Eterno.


Não é fácil amar as pessoas. Não é fácil amar quem não nos ama e é quase insuportável amar quem nos persegue e nos odeia, mas em Cristo é possível. E Depois de cumprirmos a nossa missão ouviremos como recompensa do próprio Jesus: “Vinde benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber; era forasteiro, e me hospedaste. Estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).


2. AMAR É UM COMPROMISSO UNILATERAL – “Tendo amado os seus que estavam no mundo amou-os até o fim”.

Amar como Deus quer que amemos é mais que uma emoção. Jesus amou os seus até o fim mesmo sabendo que entre os discípulos havia os que desejavam ser maiores e mais importante do que os seus companheiros de ministério (Tiago e João), havia aquele que duvidaria da sua ressurreição (Tomé), havia aquele que o negaria (Pedro) e havia aquele que o trairia (Judas). Mesmo sabendo que o seu amor poderia não ter retorno, Jesus amou-os até o fim.


Amar é um compromisso que estabelecemos mesmo quando não há reciprocidade. O ato de amar não fica à deriva das nossas emoções. O amor de Jesus por nós é absoluto e inegociável. Amor como compromisso unilateral nos ensina que não podemos permitir que as atitudes negativas dos outros determine a nossa forma de agir. O desamor das pessoas não pode fazer de nós pessoas que não amam.


3. NUMA RELAÇÃO DE AMOR NÃO PODE HAVER RESERVAS – “Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo”.

Pedro se sentiu constrangido ao ver Jesus lavando-lhe os pés, o seu Senhor tocaria nos seus pés cheios de poeira. Jesus veria que ele não era tão limpo. Lavar os pés, além de demonstrar a disposição de Jesus em servir, demonstra que se deixar lavar e tão importante quanto lavar o pé do próximo. Numa relação de amor verdadeiro não há reservas, não há vergonha diante das nossas falhas.


Se queremos amar verdadeiramente precisamos aprender a nos deixar amar, precisamos aprender a abrir as nossas vidas a quem deseja nos amar sem medo de sermos rejeitados ou envergonhados. Por isso Paulo diz que “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.7). Jesus amou e deixou-se amar, serviu e deixou-se servir, conheceu e se deixou conhecer.


4. AMAR E SER AMADO SÃO ATOS QUE PRECISAM SER CONTINUAMENTE RENOVADOS – “Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo”.

Quando Jesus diz que alguns já estavam limpos, ele se refere ao novo nascimento simbolizado pelo batismo, mas ele também afirma que estas mesmas pessoas limpas precisam sempre tornar a lavar os pés. Quando o amor de Deus nos invade somos salvos de uma vez por todas, mas precisamos continuamente provar deste amor no perdão diário.


O amor de Jesus que nos foi dado precisa ser renovado diariamente através da confissão, do abandono dos nossos pecados e da prática do amor ao próximo. Sempre que pecamos Jesus renova o seu amor, da mesma forma precisamos avivar continuamente o amor pelo nosso semelhante. O amor é algo que requer cuidado. Devemos viver como jardineiros que cuidam todos os dias do amor semeando mais amor por onde passamos, arrancando as ervas daninhas que o sufocam e adubando para vê-lo florescer.


Que esta grande lição de amor deixada pelo nosso Senhor seja vista em nossas vidas a fim de que outros, constrangidos por este amor, possam conhecer pessoalmente o amor de Jesus.


Em Cristo

Emerson Profírio